blog-criancanaodorme-1200x900.jpg

Criança que não dorme em horário fixo tem mais problemas de comportamento

Após um estudo com mais de 10 mil crianças, pesquisadores britânicos concluíram que a falta de horários regulares para dormir pode aumentar os riscos de problemas comportamentais e emocionais na infância. O resultado da investigação foi divulgado ontem, dia 14, pela revista científica Pediatrics.

De acordo com os pesquisadores, dormir pouco ou em horários irregulares são medidas que atrapalham o ciclo circadiano – sistema que ajuda o corpo a regular o apetite, os horários de sono e o humor. “Alterar constantemente a quantidade de horas dormidas por noite ou ir para a cama em horários diferentes a cada dia é como bagunçar o relógio biológico. Isso interfere na forma como o corpo será capaz trabalhar no dia seguinte”, diz a coordenadora do estudo, pesquisadora Yvonne Kelly, da University College London.
O trabalho aponta que as crianças que não tinham horário fixo para dormir apresentaram, em comparação aos colegas que se deitavam todos os dias no mesmo horário, quadros mais acentuados de tristeza, hiperatividade e ansiedade. Além disso, envolveram-se mais em brigas com colegas.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram 10.230 crianças da Grã-Bretanha. Os hábitos de sono dos voluntários, como a quantidade de horas dormidas e o horário em que se deitavam, foram estudados quando as crianças tinham 3,5 e 7 anos de idade. Informações sobre os fins de semana não foram levadas em conta. Pais e professores das crianças estudadas responderam questionários sobre o comportamento delas.
Diante dos resultados, os autores reforçam a importância de os pais se esforçarem para criar uma rotina para os filhos e defendem que o assunto seja conversado com o pediatra durante as consultas médicas.

FONTE: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,crianca-que-nao-dorme-em-horario-fixo-tem-mais-problemas-de-comportamento,1085698,0.htm


blog-sociedadeemconsumo-1200x800.jpg

Sociedade de consumo banaliza conceito de felicidade, revela pesquisador do IP

Mariana Melo / Agência USP de Notícias

A tendência à simplificação do que é a felicidade e do que pode tornar as pessoas felizes, própria da necessidade de criar demandas de consumo da sociedade atual, pode produzir uma redução dos diferentes sentidos e interpretações que a felicidade pode ter. “Tanto será menor a qualidade da felicidade, quanto mais se fala dela, neste caso”, diz o psicólogo Luciano Espósito Sewaybricker, autor da pesquisa realizada no Instituto de Psicologia (IP) da USP.

A definição variada do que é felicidade e a tendência à banalização que a sociedade impõe ao desejo de satisfação, ideia compartilhada pelo conceito de Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman, permitiram à Sewaybricker concluir que satisfação “em massa” e imediata não garantirá felicidade. Para a pesquisa, o psicólogo buscou conceituações da felicidade feita por alguns pensadores de variadas épocas para aproximar da Modernidade Líquida. A pesquisa, que começou em 2010 e foi finalizada em 2012, teve a orientação do professor Sigmar Malvezzi.

Pesquisa

Os pensadores do estudo foram: Platão, Aristóteles, Zenão de Cítia, Epicuro, Santo Agostinho, Bentham, Kant e Freud. Inicialmente, o psicólogo buscou nas obras destes homens respostas para quatro perguntas relacionadas à felicidade. No entanto, percebeu que não seria possível extrair, com as mesmas questões, os principais pontos relativos ao tema que pudessem servir à conclusão do trabalho. Entre os nomes estudados, alguns procuravam aproximar felicidade da virtude, do prazer ou do destino. O que foi possível, de alguma forma, admitir como comum a todos foi a ideia de que a felicidade é reconhecida como um ideal da existência.

Após análise de cada pensador, Sewaybricker conciliou essas definições à Modernidade Líquida de Bauman, porque acredita que este conceito faz um bom desenho teórico do que é a sociedade atual. Segundo Bauman, ao perseguir a “solidez”, ou seja, a estabilidade proposta pela modernidade, a sociedade percebeu que o “sólido” é inalcançável. Com isso, ocorreu uma flexibilização das metas de vida, o que foi metaforizado como “líquido”. Essa flexibilização leva a busca por laços transitórios, planejamentos a curto prazo e gratificações imediatas. No seu trabalho, Sewaybricker escreve: “Em meio à Modernidade Líquida, a humanidade encontra-se privada de uma destinação clara”.

Polissemia

Além disso, o levantamento dos conceitos dos pensadores levaram Sewaybricker a comprender a felicidade como um tema extremamente polissêmico. Seus múltiplos significados e interpretações impedem generalizações. Neste caso, a polissemia do tema pode ser interessante, porque leva a discussão à esfera individual, em detrimento à comunidade, ou coletividade, ou seja, cada pessoa tem sua condição de felicidade mais relacionada às suas concepções, realizações e desejos próprios, permitindo um aprofundamento das reflexões relacionadas. Com esta complexidade, é impossível definir uma fórmula da felicidade: cada um se considerará feliz da forma que lhe aprouver.

Por isso, a pergunta feita inicialmente na dissertação – “A atual organização social e do trabalho permite felicidade?”- perde o sentido, pois alguma felicidade sempre será promovida, devido aos diversos níveis e formas de satisfação possíveis. “Felicidade pode ser um meio termo ou um extremo entre aspectos individuais ou coletivos, entre ideais ascéticos e ontológicos, prazeres e virtudes” diz Sewaybricker, e acrescenta, “suprir felicidades não significa que você não volte a um estado de insatisfação”.

Imposição

A abordagem do trabalho permite uma reflexão crítica sobre a busca pela felicidade e os percalços e frustrações que idealizações podem trazer. “Procurei trazer clareza para um tema constantemente em pauta” diz Sewaybricker, que também aponta para a constante cobrança de que as pessoas se afirmem como felizes. Segundo o filósofo André Comte-Sponville, autor também estudado para o mestrado, a constante recorrência ao tema é um sintoma de que o homem moderno não é feliz. “Tanto se fala quanto menos se tem” diz o psicólogo, parafraseando o filósofo francês.

FONTE: http://www5.usp.br/23006/sociedade-de-consumo-banaliza-conceito-de-felicidade/


blog-filhoorfao-1200x965.jpg

Filho órfão de pai vivo? – Alienação Parental

por Fabiana Esteca (psicóloga)

Nas últimas décadas houve um significativo aumento no número de divórcios nos lares brasileiros – assim como cresceu também o número de mulheres sozinhas com filhos, dado que são elas que recebem majoritariamente o direito a guarda.
Além das questões emocionais envolvidas em qualquer processo de ruptura afetiva, existe um termo utilizado para definir uma dinâmica patológica que pode ocorrer nos casos de separação não amigável – a Alienação Parental. Há controvérsias quanto a sua denominação – alguns autores chamam de Síndrome da Alienação Parental (embora não conste nos manuais de classificação da área médica). O termo aparece pela primeira vez na literatura em 1985, pelo psiquiatra Richard Gardner.
Em sínese, um dos pais (chamado alienador) passa a desenvolver um comportamento patológico de manipulação da criança para que esta odeie o outro genitor.
O “pai alienador” pode ser homem ou mulher, embora seja mais comum entre as mulheres (muito provavelmente por fatores contextuais, embora faltem pesquisas que apontem uma razão específica para essa diferença de gênero).
Geralmente, a Alienação Parental se inicia com a sensação de abandono ou traição por um dos parceiros, que então passa a se vitimizar e agir de forma a boicotar o ex-parceiro, de modo que este não consiga ter acesso aos filhos. O “alienador” vende para os filhos a imagem de que o outro “pai” é ausente, não “liga para eles”, além de ser visto como o “carrasco” e responsável por toda a dor deixada na família. Armadilha da qual a criança não tem estrutura para sair e acaba crescendo com a sensação de abandono real.
O problema é que a criança passa, de fato, a odiar o outro genitor, reproduzindo um discurso que não foi de fato vivido e sentido por ela – como se precisasse tomar partido para ser amada. A criança vive um conflito de lealdade: se sente culpada se procura pelo pai ou mãe afastado (a) ou gosta de ficar com ele (a), do contrário é como se estivesse traindo o outro.
Claro, não podemos ignorar que existem situações de negligência real ou abuso sexual, e o conceito de Alienação Parental aí não se aplica, pois o trauma infantil justifica a hostilidade para com o (a) agressor (a) – e por isso o assunto é tão delicado e requer extremo cuidado dos profissionais no momento de elaborar laudos e pareceres – não é fácil detectar se as alegações de abuso e negligência são falsas ou não e, por outro lado, um parecer equivocado pode retirar da criança um vínculo amoroso essencial para sua vida.
Como em todas as situações de conflito, quanto mais cedo se identifica a dinâmica disfuncional, maiores são as chances de reverter um quadro que, no futuro pode ser muito prejudicial para toda a família, sobretudo para o indivíduo que cresce privado do amor de um dos pais, quando este, na realidade poderia e queria estar presente.


blog-usarmaconhanates-1200x800.jpg

Usar maconha antes dos 15 anos reduz memória em até 30%

GIULIANA MIRANDADE SÃO PAULO

O uso de maconha antes dos 15 anos –quando o cérebro ainda está em processo de amadurecimento- prejudica a capacidade de recuperar as informações, reduzindo a memória dos usuários em até 30%.

Os danos são proporcionais à quantidade de droga usada: quanto mais se fuma, maiores são os estragos. E eles persistem mesmo se houver um período de abstinência de um mês.

Os resultados são de uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo apresentada no 7º Congresso Anual de Cérebro, Comportamento e Emoções, em Gramado (RS).

“Os usuários precoces têm resultados significativamente inferiores também em outras áreas, como a capacidade de controlar seus impulsos”, diz a neuropsicóloga Maria Alice Fontes, uma das autoras do trabalho.

Se o uso se inicia após os 15 anos, no entanto, as chances de prejuízo nessas funções diminui.

“Não é que seja o consumo da maconha fique seguro, longe disso. Mas ele se torna menos nocivo, porque o cérebro já passou dessa etapa de desenvolvimento”, afirmou a pesquisadora.

O estudo foi publicado na última edição do “The British Journal of Psychiatry”.

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/935827-usar-maconha-antes-dos-15-anos-reduz-memoria-em-ate-30.shtml


blog-testeonline-1200x794.jpg

RECOMENDAMOS:

Teste on-line traça perfil psicológico e psiquiátrico

MARIANA VERSOLATO

DE SÃO PAULO

Um teste on-line com cerca de 900 perguntas, criado por psiquiatras, pretende traçar o perfil psicológico e supostos transtornos psiquiátricos dos internautas dispostos a completá-lo.

As perguntas estão no site http://temperamento.com.br/, desenvolvido pelo grupo de pesquisa Bases Neurobiológicas e Tratamento de Transtornos Neuropsiquiátricos, do Programa de Pós-Graduação em Biologia Molecular e Celular da PUC do Rio Grande do Sul.

O teste é dividido em duas fases -psicológica e psiquiátrica- e as perguntas vão de medos e traumas na infância a números de tatuagens e parceiros sexuais, para citar alguns exemplos.

Depois de responder às perguntas, o participante recebe o resultado por e-mail, dizendo qual é seu temperamento afetivo. Na segunda fase do teste, a avaliação diz quais são os transtornos psiquiátricos que a pessoa pode ter. A lista inclui 19 problemas mentais.

Mais de 30 mil pessoas já responderam às perguntas, de forma anônima.

O objetivo do teste, segundo o psiquiatra Diogo Lara, um de seus criadores, é poder avaliar como o temperamento das pessoas está relacionado aos transtornos psiquiátricos e usar os resultados em artigos científicos.

Alguns já foram publicados em periódicos como “Journal of Affective Disorders” e “Psychopathology”.

O cruzamento de informações permite afirmar, por exemplo, que 25% das mulheres com depressão têm temperamento ciclotímico (ou seja, com altos e baixos).

Nesses casos, o tratamento não é feito com antidepressivos, e sim com estabilizadores de humor.

É aí que está outra utilidade do site, segundo Lara. “O tratamento pode ganhar muito se o paciente é visto a partir do seu temperamento. Uma depressão com ansiedade é diferente de uma com temperamento apático.”

As perguntas e os 12 tipos de temperamento foram inspirados em classificações já existentes na literatura científica, segundo Lara.

“Cerca de 80% das pessoas afirmaram, no final, que acharam o teste muito útil e que o perfil de temperamento correspondia à realidade.”

AUTOCONHECIMENTO

O temperamento, afirma, é 60% genético e 40% definido por fatores ambientais, principalmente relacionados à infância. É a natureza emocional que define como a pessoa age no dia a dia.

Para ele, a avaliação pode levar ao autoconhecimento. “Se sei o que me atrapalha, posso pensar em melhorar a minha maneira de ser.”

O professor de psiquiatria da Unifesp José Alberto Del Porto concorda. “O site traça um perfil, e isso ajuda. Os participantes podem até levar esse perfil a um especialista. Se o resultado disser que sou muito instável, será que não tenho ciclotimia, um transtorno de humor?”

Para Del Porto, o serviço não tem a pretensão de servir como um diagnóstico, mas pode motivar a pessoa a procurar tratamento especializado, o que é positivo.

Segundo Lara, 30% das pessoas têm transtornos psiquiátricos, mas nem todos recebem tratamento. Os motivos para isso, afirma, incluem o preconceito em relação às doenças mentais e o serviço público deficiente.

“Com o teste, pelo menos a pessoa pode perceber se tem algum problema.”

 

Editoria de Arte/Folhapress

 

CURIOSIDADE

Para Marcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Transtornos de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP, o mérito do site é usar a internet para coletar dados e usá-los em pesquisas.

“A utilidade para a pessoa é relativa, é mais uma curiosidade. Já do ponto de vista científico é muito útil.”

Bernik questiona, porém, se a amostra é representativa da população.

Del Porto toca no mesmo ponto. “O site é válido, considerando suas limitações. Mas não podemos generalizar as respostas porque quem responde está hipermotivado, já deve ter queixas. Quem não tem interesse não vai responder a tantas questões.”

 

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/906807-teste-on-line-traca-perfil-psicologico-e-psiquiatrico.shtml


blog-sobreaamizade-1200x798.jpg

Mário, de quem é a culpa? De Um ou de Outro?

por Pedro Quaresma Cardoso

Ao narrar a história de dois amigos no conto Frederico Paciência*, Mário de Andrade dá uma aula sobre a vulnerabilidade das amizades. História emocionante. Sobretudo pela extrema facilidade com que nos identificamos com ela. Mário descreve a paixão fraterna que é construída entre dois meninos, pelos quatorze anos, na época de colégio. Eles eram diferentes, tinham sonhos diferentes. Um almejava a medicina e o Outro, as artes. Pintura, música e versos. Jovens, de origens diferentes, aprenderam muito Um com o Outro. Um passeava entre as amizades como quem pula ondas, que passam sem que se dê conta de para onde foram. O Outro não tinha nenhum amigo. Um foi seu primeiro. Aprenderam a ser cúmplices. Acreditavam-se inseparáveis.

Há quem diga que amizade é natural. Inicia-se naturalmente. Aparentemente nada fazemos para que um amigo se mantenha nosso amigo. Errado! Fosse assim, seria só esperar o tempo passar e os amigos se tornariam mais amigos. Amizades não são como frutas que amadurecem sozinhas, demandam muito trabalho, muitas atitudes em prol de sua construção. Não há nada de natural em uma amizade. Para mantermos uma relação não podemos esperar que o acaso nos uma, devemos nos comportar para que união ocorra, por exemplo, convidando alguém para correr no parque. Para que ela perdure é necessário esforço de ambas as partes. Do Um e do Outro. Ao acompanhar o parceiro em tarefas enfadonhas, por vezes entediantes, mostra-se que o importante é o Outro e não a tarefa que desempenham juntos.

No conto desses dois amigos, em algum momento, pelo menos um deles parou de se comportar como amigo. Sem que percebessem, pois foi aos poucos, se distanciaram. Que pena. As causas, agora, não nos importam. No entanto, as conseqüências disso não poderiam ser diferentes. Os amigos se afastaram. Ao fim, um deles, conformado com a separação e sem saber muito bem por que ocorreu afirmou: “Estou convencido que perseveraríamos amigos pela vida inteira, se ela, a tal, a vida, não se encarregasse de nos roubar essa grandeza”.

A grandeza de manter uma amizade está em comportar-se para mantê-la. Assim Um e o Outro talvez pudessem ter salvo sua amizade. Acabaram colocando a culpa na vida. Enfim, alguém sempre leva a culpa – nem sempre o real culpado.

*Frederico Paciência, de Mário de Andrade, foi publicado no livro Contos Novos, de 1947.


blog-estresseemocional-1200x800.jpg

Um estudo norte-americano indica que acontecimentos sociais ou psicológicos são detectados em áreas do cérebro que também correspondem à dor física.

A pesquisa tomou como base as reações de 40 voluntários que, no período anterior de seis meses, tinham passado pelo fim de um relacionamento amoroso contra a sua vontade –em outras palavras, foram rejeitados.

Os cientistas apresentaram quatro cenários para o grupo analisar. Ver a foto de um parceiro e, ao mesmo tempo, pensar no fim da relação; ver a foto de um amigo e pensar em uma situação positiva vivida com ele; sentir um toque gentil e quente provocado por um aparelho preso ao braço e, finalmente, sentir uma queimação de dor gerado pelo mesmo aparelho, mas que não fosse forte o suficiente para provocar danos físicos.

As duas situações de dor –a perda do namorado e a queimação– provocaram uma reação nas mesmas regiões cerebrais, descobriu o estudo.

A conclusão a que chegou o professor de psicologia Ethan Kross, da Universidade de Michigan, e seus colegas, é que o estresse emocional, como a perda de uma pessoa querida, afeta as pessoas da mesma maneira se fosse um ato físico.

Segundo os pesquisadores, essa descoberta pode ser útil no auxílio de pessoas que são afetadas por sentimentos de perdas e rejeições.

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/895917-estresse-emocional-doi-tanto-quanto-dor-fisica-diz-estudo.shtml


blog-naoconsegueparar-1200x800.jpg

Por Joana Carvalho Ferreira

Não consegue parar de comer? Saiba se precisa de ajuda: o que é o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica?

Transtornos Alimentares são distúrbios psiquiátricos de etiologia multifatorial, caracterizados por padrões e atitudes alimentares perturbadas.

O DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) classifica o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) como um transtorno alimentar sem outra especificação, diferenciando-o da anorexia e bulimia nervosa.

No TCAP há a presença de episódios de compulsão alimentar sem a utilização de mecanismos compensatórios para o controle de peso (como purgação, jejum, entre outros). Quem apresenta o transtorno experimenta perda de controle sobre a quantidade de alimento ingerido em um determinado período de tempo (por exemplo, por um período de duas horas) e somente interrompe a alimentação quando se sente muito desconfortável.

Além disso, é muito comum que os episódios de compulsão alimentar ocorram em segredo e apresentem-se associados a intensos sentimentos de angústia, vergonha e culpa.Importante notar que pessoas que beliscam o dia todo, mas em pequenas quantidades, estão excluídas, já que o período de tempo bem definido e a quantidade de alimento neste período são critérios para o diagnóstico.

Apesar de não ser possível estabelecer uma relação de causalidade, o TCAP tem uma prevalência maior na população de indivíduos obesos quando comparado com a população geral. Estudos clínicos mostram que nos obesos que procuram tratamento, o transtorno apresenta-se em aproximadamente 30% dos casos, enquanto a prevalência é de 3 a 5% na população geral.

Outra característica importante diz respeito à presença de comorbidades. Pessoas com o transtorno apresentam alta prevalência de psicopatologia geral – como depressão e ansiedade – e psicopatologia alimentar – perturbações com a imagem corporal.É importante considerar que a presença de episódios de compulsão alimentar não é suficiente para o diagnóstico do transtorno. Fatores como a intensidade e duração dos sintomas são essenciais para o entendimento do mesmo. O fundamental é ficar atento aos sintomas e sempre procurar ajuda especializada.


blog-analise-comportamento-1200x675.jpg

DANIEL DEL REY, DENISE VILAS BOAS E JOÃO ILO

Análise do comportamento e autismo

“Rituais autísticos” decorrem de sensibilidade alterada a estímulos ambientais, dificuldade de integração e ausência de repertórios

Em artigo publicado nesta seção, a presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Nilde Jacob Parada Franch (“Autismo e psicanálise”, 13/9), referiu-se à abordagem da psicologia comportamental para o tratamento de autismo de forma simplista e equivocada.

No passado, o autismo foi visto como resultado de problemas emocionais e o tratamento recomendado era a genérica psicoterapia.

Com o avanço das neurociências, da genética e da própria psicologia, passou a ser compreendido como um problema de desenvolvimento. Referência mundial para a psiquiatria, o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) corrobora esse entendimento.

O foco das intervenções passou então a ser educacional, visando a desenvolver e aprimorar habilidades e repertórios necessários para o bem-estar e a inserção social do autista.

Foi nesse cenário que a tecnologia de ensino e de aprendizagem compreendida na ABA (análise comportamental aplicada) se sobressaiu e se tornou o tratamento privilegiado para pessoas com quadro do espectro autista. Isso se deve ao fato de a ABA historicamente ter se mostrado eficaz, e não pela propaganda de supostos benefícios.

Os “rituais autísticos” mencionados por Nilde Franch, convém esclarecer, podem ter, em alguns casos, função de esquiva social, conforme ela mencionou. Mas, na maioria das vezes, decorrem da sensibilidade alterada do autista a estímulos ambientais, dificuldade de integração sensorial e ausência ou deficit acentuado de repertórios comportamentais básicos, como expressão verbal e aspectos paralinguísticos (expressões faciais, entonação da fala…).

O estereótipo da psicologia comportamental como um método baseado em repetição e recompensa não passa de desconhecimento.

A análise do comportamento não é um método, mas uma abordagem científica que examina a interação do sujeito com o seu entorno. Sua tecnologia de intervenção é efetiva porque articula um referencial teórico-conceitual sólido e dados empíricos robustos. Os métodos são embasados em estudos –atendimento em consultório e acompanhamento terapêutico no ambiente em que o cliente vive possibilitam a identificação de suas necessidades e o seu desenvolvimento.

Basta consultar o banco de dados de periódicos como o “Jaba” (Jornal da Análise Comportamental Aplicada, na sigla em inglês) e os mais de 200 artigos sobre o autismo ali publicados para se conhecer os avanços científicos obtidos na área.

Uma intervenção comportamental bem planejada tem de incluir o desenvolvimento de linguagem funcional, ensino de habilidades sociais, organização de rotina e estabelecimento de metas acadêmicas.

Não é simplismo desenvolver pré-requisitos para se alcançar essas metas e para extinguir comportamentos autolesivos e estereotipados. Desses pré-requisitos dependem também o bem-estar do cliente e a possibilidade de um futuro com independência, produtividade acadêmica e equilíbrio emocional.

Autismo é um transtorno grave que, se não for cuidado adequada e precocemente, comprometerá aspectos básicos para a sobrevivência e qualidade de vida das pessoas diagnosticadas com o problema. Seu tratamento exige a participação de equipes interdisciplinares envolvendo psicólogos comportamentais especializados, médicos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.

A preocupação com a eficácia do tratamento é legítima. Famílias, órgãos governamentais e a sociedade precisam estar cientes dos riscos que despender tempo e recursos com propostas sem eficácia comprovada cientificamente representam. Tratamento inadequado pode resultar em consequências devastadoras para o desenvolvimento social, acadêmico e afetivo do autista.

 

DANIEL DEL REY, 31, psicólogo, é mestre em análise do comportamento pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

DENISE VILAS BOAS, 36, doutoranda em análise do comportamento pela PUC-SP, é vice-presidente da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental

JOÃO ILO, 48, doutor em ciência do comportamento pela Universidade Federal do Pará, é presidente da mesma associação

 

FONTE: HTTP://WWW1.FOLHA.UOL.COM.BR/FSP/OPINIAO/135542-ANALISE-DO-COMPORTAMENTO-E-AUTISMO.SHTML


blog-alzheimer-perguntas-1200x899.jpg

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que provoca a morte acelerada dos neurônios em todas as regiões do cérebro. É um processo difuso que danifica desde as áreas da memória até os centros motores, responsáveis pela locomoção. À medida que a doença evolui, as funções cerebrais vão ficando cada vez mais comprometidas e outros campos vão sendo afetados, como a linguagem, a razão e a habilidade de cuidar de si próprio.

Qual a causa da doença?

Não se sabe ao certo a origem do problema. Estudos apontam que algumas mudanças nas células cerebrais poderiam interferir nas funções cognitivas do paciente, mas não há nada concreto. A idade seria um dos grandes fatores de risco para desenvolver o Alzheimer, mas a predisposição genética também, o que pode justificar casos de desenvolvimento precoce.

Pelo que se sabe até aqui, a doença começa quando há erros no metabolismo de proteínas, como o beta-amiloide, o que provoca acúmulo de placas tóxicas. Também pode haver alterações na proteína tau, o que destrói o esqueleto celular. Ambos os processos levam a uma morte acentuada de células nervosas no cérebro.

Quais são os principais sintomas?

O primeiro deles é a perda da memória recente – como os eventos vividos horas antes. É importante apontar que um esquecimento ocasional não deve ser entendido como sinal da doença. Lapsos de memória só sinalizam a doença quando interferem nas atividades diárias da pessoa.

Além da perda da memória progressiva, o paciente também começa a ter dificuldade para raciocinar, se planejar e, com o tempo, até se comunicar e se locomover. Em boa parte dos casos, surgem ainda a agitação, a ansiedade e a depressão.

Como é feito o diagnóstico?

Não há um exame específico capaz de apontar o Alzheimer. O médico costuma diagnosticar o mal após realizar testes neurológicos e cognitivos para descartar outras doenças. O profissional também leva em conta informações sobre as mudanças de comportamento do paciente, colhidas em entrevistas com ele e com sua família.

Há tratamento para o Alzheimer?

Sim. Existem medicamentos que ajudam a impedir o avanço rápido da doença em seus primeiros anos, mas não há cura. Após o diagnóstico e a orientação médica, o tratamento é iniciado com doses baixas, de modo a diminuir os efeitos colaterais que podem surgir. Os familiares também passam por um processo de orientação em que aprendem mais sobre o que é a doença e como lidar com o paciente.

Existem estudos recentes sobre a doença?

Uma alternativa apontada pelas novas pesquisas seria o efeito neuroprotetor do lítio. A substância impede a atuação de processos metabólicos que causam o Alzheimer, como a formação das placas de beta-amilóide e as alterações da proteína tau – que seriam alguns dos prováveis mecanismos da doença.

Quantas pessoas sofrem de Alzheimer?

Estima-se que 10% das pessoas com mais de 65 anos e 25% daquelas com mais de 85 anos podem apresentar Alzheimer. No Brasil, dos 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos, cerca de 6% apresentam a doença, ou seja, em torno de 1,2 milhão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse número deve crescer bastante até 2030, devido ao envelhecimento da população global e ao aumento de casos relacionados à demência.

Fontes: http://www.estadao.com.br/especiais/alzheimer-conheca-a-doenca-e-saiba-a-importancia-do-diagnostico-precoce–,182698.htm Academia Brasileira de Neurologia (Abneuro), Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) e Wagner Gattaz, professor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.


Instituto Agir e Pensar

Temos como objetivo participar na solução de problemas e na melhoria da qualidade de vida das pessoas, oferecendo serviços de alto valor técnico que propiciem autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e profissional. Temos o compromisso de atuar com informações de base científica, com ética, responsabilidade, dedicação e compromisso com os resultados.